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Memória Viva
Mais do que cumprir as exigências de um Projeto Básico Ambiental (PBA), a ENERCAN buscou reafirmar a identidade e os valores culturais de cada município da área de influência da Usina Hidrelétrica Campos Novos. Com o trabalho desenvolvido através do resgate histórico realizado na região e a implantação de quatro casas de cultura, Campos Novos, Anita Garibaldi, Celso Ramos e Abdon Batista agora têm suas histórias contadas através de fotos, documentos, objetos e artefatos arqueológicos.

O PBA da hidrelétrica previa a implantação de apenas um museu ou casa de cultura, mas a diretoria da Enercan decidiu colocar uma em cada um dos municípios atingidos.

O vasto acervo é resultado do Programa de Salvamento e Preservação do Patrimônio Histórico-cultural, Paisagístico e Arqueológico, trabalho que teve início em 2001, e mobilizou aproximadamente 20 profissionais ligados a instituições de ensino superior e museus. Historiadores, sociólogos, museólogos, arquitetos, fotógrafos, cineastas, arqueólogos e professores desenvolveram um trabalho conjunto, que envolveu uma vasta pesquisa de campo, onde foram feitas inúmeras visitas às propriedades rurais, além de entrevistas, fotos, produção de vídeos, relatórios e fichários.

As prefeituras foram parceiras da ENERCAN no programa. Para auxiliarem a equipe de pesquisadores, mobilizaram as comunidades com o objetivo de resgatarem tradições e costumes locais. O resultado foi uma grande contribuição de documentos, fotos e objetos que ajudam a traçar a história da região.

As casas e suas histórias:

Centro Histórico Cultural Cecília Bonamigo Spiazzi
Inaugurado em 18 de junho de 2005.
Celso Ramos

O Centro Histórico Cultural de Celso Ramos é outro exemplo em que o prédio que abriga o museu também faz parte do acervo. A “Casa Spiazzi”, nome pelo qual é conhecido o prédio que abriga a casa de cultura, pertencia a Cecília Bonamigo Spiazzi e foi construído entre 1939 e 1940. O local já serviu de residência, comércio de “secos e molhados”, armazém e açougue.

Uma xícara datada de 1513, que pertencia à família de Afonso de Mathias, é a peça mais antiga do acervo que conta com diversos objetos. Mais de 800 fotos, livros, revistas, textos e um inventário do patrimônio arquitetônico atingido pela usina fazem parte dos materiais disponíveis aos visitantes.

Centro Histórico Cultural Bradamante Salmória
Inaugurado em 12 de novembro de 2005.
Anita Garibaldi
O Centro Histórico Cultural Brandamante Salmoria, de Anita Garibaldi, já tem no próprio prédio uma das peças do museu. A casa que abriga o centro cultural era uma igreja que ficava na Vila Santa Ana, comunidade mais antiga do município e que foi parcialmente alagada pelo lago da Usina Hidrelétrica de Campos Novos. A casa foi relocada e hoje abriga um acervo composto em sua grande maioria por fotografias. Separadas em murais temáticos, elas abordam desde os aspectos religiosos, ensino e a família. Há ainda relíquias indígenas e imagens dos sítios arqueológicos descobertos no município durante as obras da Usina Hidrelétrica Campos Novos.

Bradamante Salmória foi a primeira professora do município de Anita Garibaldi.

 

Centro Histórico Cultural Adelino Zanchett
Inaugurado em 16 de dezembro de 2005.
Abdon Batista
Em Abdon Batista, o Centro Histórico funciona em uma ala do Colégio Estadual, que foi reformada especialmente para participar do projeto. O nome do Centro homenageia Adelino Zanchett, veterinário que prestava serviços para os criadores de gado da região, lecionava Técnicas Agrícolas e foi o primeiro funcionário do posto de saúde do município. Zanchett teve destaque em Abdon Batista por ter montado, na própria casa, um museu com objetos doados pela comunidade. Algumas dessas peças que foram recolhidas por ele estão expostas no novo Centro Histórico.

Uma máquina de matar formigas, uma sela feminina e as ferramentas datadas da década de 30, entre outros objetos, podem ser vistos na Casa de Cultura de Abdon Batista. um rico acervo composto, em grande parte, por objetos doados pelos moradores. Muitas peças foram utilizadas pelos seus antepassados. Instalado em uma ala do Colégio Estadual de Abdon Batista, reformada especialmente para fazer parte do projeto, o museu dispõe de documentos, objetos, painéis e mais de 500 fotos que retratam a história e a cultura do município.

Fundação Cultural Camponovense Cid Caesar de Almeida Pedroso
Inaugurada em 30 de março de 2006
Campos Novos
“Mudança de Capital” é a manchete do jornal Vanguarda, de 27 de outubro de 1907, que faz parte do acervo do único dos centros históricos implantado em total regime de parceria entre a ENERCAN e a Administração Pública Municipal. A última das quatro casas de cultura a ser inaugurada, a Fundação Camponovense foi instalada em um prédio de 1919 e detém o maior número de objetos, fotos e documentos obtidos no programa de resgate histórico cultural. O nome do museu homenageia o camponovense Cid Caesar de Almeida Pedroso, que foi deputado e desembargador tendo o auge de sua atuação política e jurídica nas décadas de 70 e 80.

Um vestido de noiva de 1956, uma tesoura de ferro de 1910, uma faca utilizada na Guerra do Contestado, um porta-moeda de 1864, cartas de alforria do século XIX e medalhas de condecoração dividem espaço com máquinas de escrever, máquinas fotográficas e um projetor de filmes dos anos 30, 40 e 50.

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